segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Capítulo 1: Encontro Marcado

EPISÓDIO 1 – ENCONTRO COM A MORTE

Na sociedade carioca reside uma família renomada, dona de um império da aviação e muito poderosa. A Família Abrazacks tinha de longe o prestígio e o glamour, representados pelas suas festas finas e suas infinidades de bens materiais que faziam questão de exibir às pessoas menos favorecidas. Uma família que transparecia união, amor, solidariedade e respeito perante todos, mas que no seu íntimo escondia uma podridão inimaginável, mas que estava prestes a vir à tona.
Na intenção de unir a família, a matriarca, Berenice, organizou uma ceia de natal na mansão. Convidou os três filhos, Rodolfo, Demétrio e Magda. Irmãos que seguiram rumos distintos, e que travam uma disputa desenfreada pela posse da fortuna da família e do controle da empresa Abrazacks Airline...
E assim aconteceu...

25 de Dezembro de 2015 – 00:10 - noite
Reunidos em uma grande mesa, na sala de jantar, estavam:
Os familiares:
- Berenice.
- Rodolfo, sua esposa, Leila, e seus filhos Edgar, Eloísa e Caíque, este último era filho adotivo.
- Demétrio, sua esposa, Helena, e os filhos Danilo e Léia, também chamada de Leinha.
- Magda e seu namorado Sérgio.
Os convidados:
- Douglas, diretor geral da Abrazacks Airline e amigo de Rodolfo, com sua noiva Mara.
- Gonzales, médico de confiança de Berenice.
- Vivian, uma jornalista influente e amiga de Leila.
- O deputado, Pablo, sua esposa Yolanda e seu assessor Castro.
- Andressa, amiga de Berenice.

Havia presentes na sala os empregados, Calista, governanta da mansão, Mariana e Olivia, as empregadas, e Paulo, um cozinheiro chefe contratado por Leila.

Os ocupantes da mesa tinham os olhos voltados para Rodolfo, que de pé, com uma taça de champanhe na mão direita, fazia um discurso em nome da família.
            - Hoje é um daqueles dias em que paramos para refletir todos os últimos dias do ano. E não é a toa que estamos aqui reunidos hoje. Família e amigos. E é em nome da família Abrazacks que faço um brinde ao amor, a união e maravilha que é fazer parte dessa família. Um brinde.
Todos erguem as taças.

25 de Dezembro de 2015 – 03:45 – noite
Leila estava diante de dois investigadores da polícia civil do Rio de Janeiro. O detetive Fontes e sua parceira Lúcia. Era um interrogatório que estava sendo feito em um escritório da mansão. Leila estava com um semblante abatido.
            - Seu marido tinha inimigos? Alguém a quem pudéssemos começar a investigação? – Pergunta Fontes.
            - Jamais. Rodolfo sempre foi um homem de muitos amigos. Todos aqui gostavam muito dele. – Leila enxuga as lágrimas e continua - Não acredito que nenhuma dessas pessoas teria intenção de machucá-lo.
            - Mas não necessariamente estas pessoas. – corta Lúcia – O que queremos saber é da vida particular da vítima. Há algum desafeto de seu marido?
            - Olhe inspetora, sendo bem sincera eu não sei. Eu nunca me meti na vida privada do meu marido. Pode até ser que ele tenha algum desafeto, mas eu não sei. Não posso afirmar nada.
Fontes e Lúcia se olham por alguns segundos. Leila continua.
            - Ainda não consigo acreditar que tudo isso esteja acontecendo. Parece um pesadelo terrível. Eu só quero acordar logo e descobrir que nada disso é real...

25 de Dezembro de 2015 – 01:05 – noite
Mariana, empregada da mansão, caminha a passos rápidos carregando uma pilha de toalhas dobradas, que acabara de secar. Dirigia-se para a casa da piscina térmica nos fundos da mansão. Ela atravessou todo o jardim e entrou na casa.
Ao entrar, ela passou ao lado da piscina e foi até um grande closet, onde abriu e depositou as toalhas dobradas. Fechou a porta do closet e ao virar-se para retornar aos afazeres na casa principal se deparou com a cena que mudou os planos da noite:
Rodolfo estava completamente nu, sentado em uma cadeira com os braços amarrados por trás, uma mordaça na boca e quatro golpes de faca, cujo o sangue escorria pelo corpo.
Mariana entrou em choque e tudo o que pode fazer foi soltar um grito de pavor que logo foi ouvido por várias pessoas na mansão.

25 de Dezembro de 2015 – 01:40 – noite
Olívia, empregada da mansão, entrega uma xícara de chá para Berenice, que se encontra sentada em uma poltrona, amparada pela filha, Magda, e suas nora Helena.
            - Tome um pouco do chá, sogra. Vai lhe fazer bem. – Diz Helena.
            - Obrigada, Olívia. – Agradece Magda. – Tome mamãe.
Berenice toma um gole do chá e coloca a xícara sobre uma mesinha ao lado.
            - Isso parece um pesadelo. Que horror. Quem poderia ter feito uma barbaridade dessas com o meu filho? Quem?
Todos os convidados da ceia, descritos anteriormente, estavam presentes na sala, e olhavam-se entre si ao ouvir os lamentos de Berenice. Os olhares eram de desconfiança, culpa, medo e por outros motivos. Todos poderiam se tornar suspeitos, caso algumas verdades viessem à tona.
. . . . . . .

Após voltar da sala, Olívia entra na cozinha e coloca a bandeja que carregava, sobre o balcão. Mariana, ainda abalada com o que presenciará, estava desconsolada. Olívia se aproxima dela.
            - Dona Berenice está desolada. Não para de chorar.
            - Mas também, o que você queria? Só eu sei o que vi. Foi uma coisa horrível o que fizeram com o seu Rodolfo.
            - Mas também, cá entre nós, o seu Rodolfo não era nenhum santo. E você sabe disso.
            - Como assim? Eu não sei do que você está falando.
            - Claro que sabe. Pensa que eu não vi hoje mais cedo. Você e o seu Rodolfo na lavanderia. Por isso não me espanto com o seu chororô.
            - Xiii... Calada. Ficou maluca. O que você viu não significa nada. Eu jamais me meteria com alguém dessa casa.
            - Eu só estou dizendo o que eu vi. Agora enxuga essa cara e trata de dar uma ajuda lá na sala antes que reparem no seu luto.
Olívia se afasta e Mariana respira fundo.
. . . . . . .
Demétrio estava no escritório acendendo um charuto. Após esbaforir o primeiro trago, ele serve um conhaque e caminha até uma foto de Rodolfo, que estava sobre a estante. Demétrio pega a foto e traga mais uma vez, soltando a fumaça lentamente.
            - É! Acho que acabou pra você meu irmão.
De repente Magda entra no escritório, pegando Demétrio de surpresa.
            - Magda!? Pensei que estivesse cuidando de nossa mãe lá no quarto.
            - Helena e Leila já estão fazendo isso.
            - Claro. Deixe as noras fazerem o trabalho pela filha. Você nunca esteve presente mesmo.
            - Escuta aqui Demétrio, quem é você pra vir me dar lição de moral? Você não é melhor ou pior do que eu. Com certeza deve estar por trás da morte do Rodolfo. Você seria bem capaz disso.
            - Ficou maluca. Nunca mais repita uma barbaridade dessas. Eu posso ser qualquer coisa, menos um assassino.
            - Eu não ponho minhas mãos no fogo pela sua inocência.
Magda se vira e sai do escritório. Demétrio atira o copo que estava segurando contra a parede. Mas atrás, escondida atrás da porta que estava entreaberta, Andressa estava observando Demétrio e refletindo sobre a conversa que acabará de escutar.
. . . . . . .
Os filhos de Rodolfo e Leila, (Edgar, Eloísa e Caíque) estavam sentados na varanda da mansão, junto com os primos Danilo e Leinha.
            - Eu ainda não consigo acreditar que o meu pai está morto. – fala Eloísa, com os olhos marejados de lágrimas.
            - Nem eu. – diz Edgar.
            - A tia Leila e a vovó estão arrasadas lá no quarto. – Fala Leinha.
            - Vai ficar tudo bem. – Fala Danilo acariciando os cabelos de  Eloísa enquanto abraça ela.
Mesmo presente na cena, Caíque parecia distante de tudo. Seu pensamento viajava e voltava à outra ocasião. Algo que aconteceu e que somente ele e Rodolfo tinham conhecimento.

07 de Dezembro de 2015 – 15:45 – tarde
Rodolfo estava sentado no escritório. Caíque entra de repente. Estava transtornado. Carregava alguns papéis na mão. Ele coloca os papéis sobre a mesa.
            - Me diz que isso não é verdade.
Rodolfo olha os papéis.
            - Onde você conseguiu isso? Estava mexendo nas minhas coisas? Quem te deu esse direito?
            - Responde a minha pergunta. – Caíque grita e bate com os punhos sobre a mesa.
            - Tenha modos seu moleque. Com quem você pensa que está falando?
Caíque se acalma um pouco. Rodolfo faz a volta ao redor da mesa e fica diante de Caíque.
            - Isso são apenas papéis. O que isso importa? Nada vai mudar. Nada.
            - Quando você e mamãe iam me contar que eu sou adotado?
            - Quando fosse preciso.
            - Eu tinha o direito de saber.
            - Claro que tinha. Mas o que você queria? Você é nosso filho agora. Você tem tudo o que muitos gostariam de ter. Tem uma família que te ama e só quer o seu bem.
            - Eu agradeço a generosidade, mas existem coisas que eu preciso saber. Agora mais do que nunca. Quem são os meus verdadeiros pais?
Rodolfo respira fundo.
            - Isso eu não sei. Te adotamos em uma casa de caridade. Foi logo após sua mãe ter perdido o filho que ela esperava. Suas origens foram ocultadas. Não tivemos acesso a nada. Satisfeito.
            - Não! Mas vai ser difícil confiar em vocês agora.
Caíque sai do escritório. Rodolfo olha os papeis novamente e fica pensativo.

25 de Dezembro de 2015 – 02:20 – noite
Em um canto da casa, afastado de todos, o deputado Pablo conversa com o seu assessor, Castro.
            - Fez o que te pedi?
            - Tudo. – Fala Castro.
            - Ninguém pode saber disso. A família Abrazacks é muito importante pra mim. Essa morte ainda vai me render muito. Agora me consegue uma bebida.
            - Com licença.
A esposa de Pablo, Yolanda, se aproxima dele.
            - O que você está tramando com o seu lacáio?
            - Querida! Não vi que estava por aqui.
            - Não fuja da minha pergunta, Pablo. Eu ouvi perfeitamente quando falou para o Castro sobre algum serviço. O que está tramando?
            - Escute meu amor. Existem negócios na política que não podem ser abertos a todos. Mas tem a minha palavra de que não é nada demais. Confia em mim.
            - Eu confio. Só tenho medo. Você viu o que fizeram com o Rodolfo. Deus o livre de acontecer algo assim com você.
            - Não se preocupe com isso. Ninguém vai me fazer nada.
Pablo beija sua esposa e lhe dá um abraço.

. . . . . . . . .
As viaturas da polícia e alguns outros veículos, perícia e o carro do IML chegam à mansão. Sirenes ligadas, porém sem nenhum som.
De dentro do carro da polícia, saem o detetive Fontes e sua colega de trabalho, Lúcia. Eles param em frente a viatura e olham para a mansão.
            - Quem mansão! Fala Lúcia.
            - Espero ter uma igual algum dia. – Diz Fontes.
            - Vamos lá.

. . . . . . . . . .
Na cena do crime, Fontes e Lúcia analisam tudo com cuidado. O corpo de Rodolfo permanecia da mesma forma como foi encontrado por Mariana. Os peritos colhiam algumas evidências que iam encontrando, enquanto um fotógrafo tirava algumas fotos.
Lúcia analisava o local com cuidado.
            - O nome da vítima é Rodolfo Abrazacks, quarenta e sete anos. Altura aproximada de um metro e oitenta centímetros, pesando em torno de oitenta e cinco quilos.
            - Que brutalidade. O que você acha? – Pergunta Lúcia.
            - Acho que um inimigo muito enfurecido, ou uma amante muito louca, lavram a alma com tanto sangue.
            - Você acha que pode ter sido uma mulher?
            - Talvez. Mas prefiro ouvir os convidados da festa antes de levantar qualquer suspeita.
Fontes se afasta, analisando o corpo de Rodolfo. Lúcia olha em volta e descobre uma pilha de roupa jogada em um canto. Ela se aproxima e percebe que são roupas de um homem. Ela coloca as luvas e analisa, descobrindo um celular no bolso da calça.
            - Fontes! Vem aqui um minuto.
Fontes se aproxima.
            - Achou alguma coisa?
            - Acho que essas roupas são da vítima. – Lúcia mostra o celular – E encontrei isso no bolso da calça.
            - Um celular. Que ótimo. Talvez seja o início de um caminho que nos leve ao assassino. Está ligado?
            - Sim.
  25 de Dezembro de 2015 – 03:50 – noite
De volta a cena do interrogatório de Leila. Esta estava tomando um copo de água, servido por Olívia.
            - Obrigada! Fala Leila entregando o copo para Olívia.
Olívia se retira do escritório.
            - Entendo sua situação. Perder o seu marido desta forma tão brutal deve ser uma experiência desagradável. – Fala Lúcia.
            - Certamente. Rodolfo era o pilar desta família. Seu pai, Genaro, confiou em suas mãos todo o império Abrazacks. Eu não consigo imaginar como vai ser daqui para frente.
            - Estão casados há quanto tempo? Pergunta Fontes.
Leila fica intrigada com a pergunta, mas responde naturalmente.
            - Nos casamos a vinte e nove anos. Completaríamos trinta no início do ano que vem.
Fontes se aproxima da mesa e pega o celular, o mesmo que encontraram nas roupas de Rodolfo.
            - Bastante tempo. Certamente já estavam em uma relação bem desgastada, não é mesmo?
            - Como assim? Eu não estou entendendo aonde o senhor quer chegar com essas perguntas? O homem que eu amo morreu essa noite e ao invés de estar debruçada aos prantos, estou aqui nessa sala sendo interrogada como uma suspeita.
            - Permita-me corrigir sua colocação, dona Leila, mas esse interrogatório é necessário. Não estamos acusando-a de nada. Mas é justo que tratemos do caso falando com as pessoas mais próximas da vítima. Todos serão ouvidos.
            - Claro. Fala Leila demonstrando impaciência.
            - A pergunta que fiz dona Leila tem fundamento nisso. – Fontes mostra o celular para Leila – Reconhece?
            - É o celular do Rodolfo. O que tem ele?
            - Encontramos no bolso da calça que seu marido estava usando. Analisamos o aparelho em busca de evidências. Encontramos uma mensagem de texto enviado para um contato chamado Banker. Conhece alguém com esse nome?
            - Não! E não estou entendendo o que tem haver uma coisa com a outra.
            - Acontece que essa mensagem fala de um futuro divórcio. – Fala Lúcia.
            - Divórcio? Que divórcio? Como assim? Não estou entendendo.
            - Dona Leila, na mensagem o seu marido afirma que já conversou com a senhora sobre o divórcio e que tudo ficaria pronto antes mesmo do início do ano.
            - A vítima ia se divorciar de você. Agora porque não nos conta exatamente o que aconteceu entre vocês nos últimos dias.
Leila fica pálida ao ouvir Fontes e Lúcia indo pra cima dela daquela forma. Ficou em silêncio e não soube o que falar...

Continua...





sábado, 12 de dezembro de 2015

Parte 1: Oitavo Andar




Duas da manhã no edifício Pascoal e poucas luzes acesa, noite natalina e boa parte dos poucos moradores daquele prédio de pouco mais de sete andares não estavam em casa. Duas ou três luzes a mais, apenas. Era uma noite fria, tranquila para aquele bairro do Rio Grande do Sul. No térreo não havia mais ninguém ali, àquela hora. No oitavo andar, o último do Pascoal, tocava um jazz que dava um clima mais a dois no local. O corredor estava vazio e, não se via ninguém, apenas a porta entre aberta e um feixe de luz do apartamento 312.  Na sala do apartamento, copos e pratos pareciam ter sido usados por animais, estavam no chão e quebrados. A janela estava aberta e, sentada ao chão estava Clarice, ao seu lado: Uma fatia de torta de amora, um garfo largado no chão e uma faca, até então melada com geleia de morango.

                    Amor, amor... - Sussurrava a jovem com cabelos castanhos e pele clara, mantendo-se de olhos fechados. O vento que entrava pela janela, fazia com que a cortina flutuasse. Clarice tomou forças, levantou-se e olhou pela janela a rua escura e sem movimento. - Era pra sermos você e eu! - exclamou. 

No chão, dois corpos juntinhos no asfalto. Quase que coladinhos, geleia de morango havia em quantidade demasiada no chão, estão ali Gerardo e Andrea. Essa história começa assim. Um final que não trágico. Às vezes o amor mela a vida e alma com um pouco de geleia de morango.

25 de dezembro de 2013 – 20h.

                    Aqui, Andrea tira o frango do forno!  Gera, você não tá pronto? Os convidados estão quase chegando! - Quase em estado de pânico, Clarice andava de um lado a outro organizando os últimos detalhes da ceia natalina que iria dar para alguns amigos.

O tempo passava-se e, o jantar e a decoração estavam prontos, os convidados – oito ou nove gatos pingados na sala comiam e bebiam. Tudo parecia maravilhoso, e estava!

                    Esqueceu de comprar mais gelo, Clar? - Gritou Gerardo da sala. Da cozinha, Clarice e Andrea preparavam-se para servir o jantar.
                    Amor vai comprar! - Respondeu Clarice.
                    Preciso de ajuda, são muitas bolsas... Não tem como subir com tudo sozinho na volta...

Logo Andrea, amiga a anos do casal, se prontificou. Pegou a bolsa e o celular, e saiu junto a Gerardo. A caminho do supermercado, Gerardo e Andrea estavam animados e o som do carro, os distraiu por um momento. O carro atravessou o sinal vermelho, quase colidindo com outro carro, que estava em sua vez. Gerardo freou forte, e a garota foi de vez no para-brisa, machucando a testa.

                    AU! - Disse Andrea levando imediatamente sua mão à testa, que agora sangrava.
                    UH! Deixe-me ver. - Disse Gerardo limpando o sangue com um pano qualquer ali do carro. - Não foi nada grave, vai passar. - Gerardo e Andrea se olhavam, não era normal entre eles manter o olhar fixo ao outro por mais de 20 segundos! Andrea fechou os olhos, e logo sentiu outros lábios tocarem aos seus.  Foi um beijo de sentimento, como nunca Andrea antes havia sentido.
                    Desculpe. - Disse Gerardo ao afastar-se da garota. - Não podemos fazer isso, a Clarice nos mataria!
Andrea então permaneceu em silêncio. Cabisbaixa, apenas concentrou-se na sua dor.  O caminho foi feito, compraram as bolsas de gelo, e voltaram. Perto de casa, Andrea finalmente criou coragem e falou:
                    Não precisa ela saber.
                    O que? - Perguntou surpreso, Gerardo.
                    É. Não precisa ela saber! - Repetiu Andrea. - Passamos muito tempo juntos, Clarice e eu temos muito em comum e você não vai estranhar, e nem ela perceber.
                    Talvez... - Nesse momento Gerardo analisou e imaginou as duas como uma. -… Mas, eu amo a Clar, e ela não merece ser traída.
                    E quem falou que vamos ter algo sério? Nesse instante, apenas viveremos o momento, É o que importa, - Andrea parecia segura e afim de talvez, quem sabe, perder sua amizade com Clarice.
Assim que os dois ali no carro criaram coragem para se olhar, mal perceberam que já estava estacionado de frente a casa, e voltaram a se beijar. Da janela, Clarice observou o outro lado da rua, onde o carro estava estacionado, e viu a cena que jamais esperaria ver em sua vida.

Ela, lógico, manteve a pose e não fez escândalo. Apenas percebeu que uma lágrima havia fugido de seus olhos, porém logo ela a secou.

Episódio 1: Essência da Vida


FADE IN

CAPÍTULO 1

EXT. - PONTE DA CIDADE - À TARDE.
Campos do Jordão, avistamos a cidade por inteiro com sua beleza radiante e encantadora com as flores embelezando toda a área verde do ambiente.
Um lindo e apaixonado casal com uma bebê com uma toquiha rosa observam o rio que passa em torno de uma bela ponte de madeira com corrimão de madeira artesanal.

EDUARDO
(Foco em seus olhos brilhando)

Vocês são tudo para mim, amo vocês duas com todo meu ser.
Ele acaricia a cabecinha da filha.

LUANA
(Com a bebê no colo, sorri, foco em seus olhos)

Nós também te amamos, meu amor! Eu jamais amei alguém assim. Você faz-me ver a vida com outros olhos e sentir-me a mulher mais feliz do mundo.

EDUARDO

Acho que minha vida não teria sentido sem você e a nossa filha, Laurita. Eu te amo, Luana!

LUANA
(O beija)

Temos que voltar agora, pois sua mãe e a Estela estão nos esperando.

EDUARDO

Por mim eu ficaria aqui com você e a nossa filha até o anoitecer para apreciarmos a bela lua que faz aqui na cidade, mas é melhor não os fazer esperar muito.
Eles caminham em direção a casa de Vívian de mãos dadas.
                       CORTA PARA:

INT. - CASA DE VÍVIAN - SALA DE ESTAR - FIM DA TARDE.

Vívian vem da copa com uma travessa de lasanha nas mãos e coloca sobre a mesa e senta-se com Eduardo, Luana e Estela.

VÍVIAN

Vocês estavam aonde?

LUANA

Nós estávamos apreciando a beleza da cidade, Dona Vívian.

VÍVIAN

Minha filha não precisa chamar-me de dona, afinal eu não sou velha, não é?

EDUARDO

É lógico que você não é velha mamãe, todos acham que você na verdade é minha irmã.

ESTELA

É verdade, você Vívian nem parece mãe do Edu. Você continua linda como anos atrás.

VÍVIAN

Vocês são uns amores mesmo, mas eu sei que o tempo está passando para mim assim como passa para todos.

EDUARDO

Mas o tempo só faz bem à você.

VÍVIAN
(Fica com o olhar distante e fala em pensamento)

Faz bem a pele e a aparência, mas o meu coração só machuca cada vez mais.

EDUARDO

Tudo bem, mãe?

VÍVIAN
(Desperta e esboça um sorriso)

Ah sim, só estava pensando como a vida tem sido boa comigo e com minha linda família.

LUANA

Eu concordo plenamente contigo, Vívian. Todo dia eu agradeço pelo marido lindo e amável que ele sonhou para mim e por ter uma sogra incrível como você e ainda tem a Estela que é e sempre foi minha melhor amiga, na realidade uma irmã. Tenho a filha mais linda desse mundo, não preciso de mais nada.

ESTELA

Vocês são a minha família, sempre me apoiam.

EDUARDO
Ouve-se o choro de um bebê vindo do quarto.

Acho que minha princesinha acordou, eu vou dar uma olhada nela.


Eduardo levanta-se e dá um beijo na testa de Luana, ele caminha até a porta e entra devagar para não assustar a filha e Luana o observa com um leve sorriso nos lábios.

EDUARDO
(Pega a filha nos braços)

Acordou, foi minha princesa?!

LAURITA
(Sorri)

EDUARDO

Você está sorrindo para o papai, tá? Minha bonequinha!      
                        CORTA PARA:

INT. - FLORICULTURA - BALCÃO - DIA.

Eduardo e Luana estão atendendo aos clientes e conversando.

LUANA

Meu amor ontem depois do jantar na casa da sua mãe, eu vim aqui na loja e encontrei isto aqui escondido num vaso vazio, será o que é?

EDUARDO
(Pega um pacote fechado)

Olha meu amor eu não faço a miníma ideia do que seja isto.

Uma viatura da polícia para em frente ao estabelecimento, dois policiais saem e entram na loja.

VITOR

Senhor Eduardo!

EDUARDO

Pois não? Posso ajudar em algo?

CAMILA

Tivemos um telefonema anônimo e temos um mandado para dar uma geral no estabelecimento.

LUANA

Mas como assim? Do que estamos sendo acusados?

VITOR

Na verdade senhora o seu marido está sendo acusado de porte de drogas, mas temos que confirmar se a denúncia é verdadeira ou apenas um trote.

Os policiais nem precisam vasculhar o local, pois eles avistam o pacote na mão de Eduardo.

VITOR

Posso ver o que é isso aí senhor, Eduardo?

EDUARDO

É claro que pode, mas não sei o que é isso, pois minha esposa achou escondido aqui na loja.

Vitor abre o pacote e encontra maconha.

VITOR

Isto aqui é droga, a denúcia bate e o senhor está preso.

LUANA

Não. Essa droga não é dele. O Eduardo jamais se envolveria com esse tipo de coisa.

EDUARDO

Não se preocupe, meu amor! Eu vou provar a minha inocência, cuide da nossa filha, Luana eu te amo! Eu não tenho nada a temer.

Luana chora ao ver Eduardo sendo levado pelos policiais.
(LOST IN PARADISE - EVANESCENCE)

QUEM SERÁ A PESSOA QUE ARMOU UMA CILADA PARA EDUARDO?

CONTINUA...

Episódio 1: Mulheres do Mundo

Lourdes, a solitária do Saara

Quando você ouve a palavra ''Saara'' você pode pensar no famoso ''centro'' comercial do Saara, no Rio de Janeiro. Mas não é nele que vive Lourdes. Ela é nômade, ou seja, não tem moradia fixa e vive no deserto do Saara, na África.
Lourdes perdeu os pais quando era jovem e se separou do grupo com que vivia,por causa de uma briga com Lio.Quando vivia com esse grupo,ela cuidava do gado (ovelhas,cabras e vacas),mas quando fugiu ela levou um camelo do grupo e se foi na noite fria,que faz no deserto.
Na primeira noite sem o grupo,essa mulher sentiu saudades do grupo e se arrependeu um pouco,mas depois percebeu que não devia fazer isso.
-Eu não quero mais falar com eles,o Lio me bateu! - Lourdes fala para Laki (o camelo).
Lourdes monta em Laki e anda durante 2 horas sem descansar.Depois de alguns minutos,Lourdes descansa.
Depois de 20 minutos,Lourdes acorda de um sono leve e percebe que Laki sumiu ou foi roubado e grita:
-Laki,vem cá!Cadê você?Laki?!
Lourdes olha ao seu redor e não encontra o camelo Laki,então  resolve procurá-lo e se vingar de Lio (o homem que lhe batia),que de acordo com ela,era o responsável pelo sumiço de Laki.
Lourdes andou e subiu dunas de areia a pé e carregando sua tenda (onde dorme).Até que chegou uma hora em que avistou um grupo grande de homens e mulheres passando por  aquela região e decidiu falar com eles.
-Olá,vocês viram um homem passando por aqui com um camelo? - perguntou Lourdes
-Minha senhora,já vimos muitos homens passando com camelos por aqui,mas um que me estranhou um pouco,foi um homem que estava batendo no camelo e falando pra ele ''Por que você foi com a Lourdes ?'',esse homem tava meio doido. - disse um homem montado num camelo.
-Obrigada,mas você sabe para qual lado ele foi? - agradeceu e perguntou Lourdes
-Ele foi para aquele lado.-aponta uma mulher
Lourdes continua procurando por Laki e por Lio sem parar.Até que avista de bem longe Laki caído no chão e Lio com um chicote na mão,batendo em Laki.Lourdes fica  um tempo vendo a cena sem saber o que fazer e resolve correr para ajudar o camelo.Quando ela vai ajudar Laki,ela fala com Lio:
-Você está doido de ficar maltratando um pobre animal indefeso?!
-Não me irrita,Lourdes! - responde Lio
Lio se irrita com Lourdes e dá uma ''chicotada'' nas costas dessa magra mulher.
-Lio,por que você me bateu? - pergunta Lourdes,chorando
-Cai fora daqui! - fala Lio irritado
-Só vou sair com Laki! - fala Lourdes
-Então, quer apanhar junto com ele? - fala Lio.
-Eu te prometo que não conto pra ninguém,só deixa eu sair daqui com ele,por favor,Lio! - implora Lourdes triste
-Não! - fala Lio
-Por favor! - implora Lourdes
Lio dá mais três ''chicotadas'' em Lourdes e cinco em Laki.
-Para com isso,te imploro.-fala Lourdes
-Se manda daqui,se não vou atirar no camelo! - fala Lio.
-Mas por que você está batendo nele? - pergunta Lourdes
-Por que eu tô afim e esse camelo não serve mais pra nada,tá velho! - responde Lio.
Lio aponta um revólver para Laki e Lourdes chuta a canela de Lio que cai e erra o tiro.Lourdes dá um soco em Lio e pega o revólver e bate com ele na cabeça de Lio.
Lourdes salva Laki e percebe que um grupo de pessoas está passando e fala com esse grupo:
-Olá,vocês poderiam levar esse homem para morar com vocês?Cheguei aqui e encontrei ele passando mal e o camelo doído,irei cuidar do camelo.
-Tá bom! - fala uma mulher
O grupo de pessoas leva Lio e Lourdes fica com Laki.
Semanas depois,Loudes volta ao grupo onde vivia e conta toda a história dos maus tratos a Laki e todos cuidam do camelo.Logo após,ela se despede e vai junto do camelo que se recuperou e agora ele vive com Lourdes, a solitária do Saara.