domingo, 28 de dezembro de 2014

Episódio 10: Diário de uma vida (ÚLTIMO)

Bruna tem uma ideia: ela chama Camila e Wallace para eles darem uma palestra falando sobre drogas, e contarem a história de Daniel. Dona Laura acha a ideia ótima; alertar os jovens sobre o mal que as drogas causam na vida de um usuário, é importante. Na palestra, Bruna cita trechos do diário de Daniel:
Diário de uma vida by Daniel:
Hoje pela manhã, minha mãe me perguntou por que ontem quando eu cheguei fiquei socando a parede e fui grosso com ela, mas eu não queria ter tratado ela daquele jeito; eu nunca havia falado com ela daquele jeito. E eu não soube explicar o que havia acontecido.
Por que o Wallace não ficou viciado como eu fiquei, pois ele usa drogas, mas consegue parar quando quer; deve ser por que eu uso craque, mas Pedrão me disse que o craque era fraco. Então, eu fui atrás da conversa dele, e já estou pensando até em me matar.
Depois de lê esses trechos do diário de Daniel, as pessoas na palestra ficam interessadas na história e fazem várias perguntas e interagem com os palestrantes: Bruna e Camila. Depois da palestra, eles ficam sabendo que Pedrão foi morto na cadeia. Depois da palestra, eles vão para hospital, e chegando lá, eles têm uma notícia nada agradável: Daniel havia morrido; e sem lágrimas para chorar, eles ficam tristes, mas, já imaginavam que isso iria acontecer. Depois da morte dele (de Daniel), Bruna ganha o diário de Daniel de Dona Laura; ela fica feliz e mais tarde, divulga partes do diário na internet, para assim, comover os jovens e preveni-los de que chegar a esse mundo tão destruidor e muitas vezes sem volta, é muito ruim.
Bruna lê um trecho do diário em que Daniel já está sem ânimo para escrever, e já imagina como será o seu fim. —Chorando muito ao lembrar- se do amado.
Diário de uma vida by Daniel
Ninguém é culpado por eu ter chegado a esse ponto; apenas a droga, e mais ninguém.
No caso de um dia eu faltar, quero que alguém cuide da minha mãe, e não a deixe sozinha nunca, e também que Bruna siga em frente e arrume alguém que mereça o seu amor. E que ela (Bruna) não mude para tentar ser mais agradável falante ou descolada.
Hoje como estou mais disposto; vou colocar aqui uma música que eu gosto muito; e toda vez que alguém ouvir essa música, irá se lembrar de mim.
Katherine Jenkins
Angel
Spend all your time waiting for that second chance
For the break that will make it ok
There's always one reason to feel "not good enough"
And it's hard at the end of the day
I need some distraction, oh beautiful release
Memories seep from my veins
They may be empty and weightless, and maybe
I'll find some peace tonight
In the arms of an Angel, fly away from here
From this dark, cold hotel room, and the endlessness that you fear
You are pulled from the wreckage of your silent reverie
You're in the arms of an Angel; may you find some comfort there

So tired of the straight line, and everywhere you turn
There are vultures and thieves at your back
The storm keeps on twisting; you keep on building the lies
That you make up for all that you lack
It don't make no difference, escaping one last time
It's easier to believe
In this sweet madness, oh this glorious sadness
That brings me to my knees
In the arms of an Angel, far away from here
From this dark, cold hotel room, and the endlessness that
 You fear
You are pulled from the wreckage of your silent reverie
In the arms of an Angel; may you find some comfort there?
Anjo
Gaste todo seu tempo esperando, por aquela segunda chance,
Por uma mudança que resolveria tudo
Sempre há um motivo para não se sentir bom o bastante,
E é difícil no fim do dia.
Eu preciso de alguma distração, oh, perfeita liberação.
A lembrança vaza de minhas veias...
Deixe-me vazia, e sem peso e talvez.
Eu encontrarei alguma paz esta noite.

Nos braços de um anjo, voe para longe daqui.
Deste escuro e frio quarto de hotel, e da imensidão que você teme.
Você é arrancado das ruínas, de seu devaneio silencioso.
Você está nos braços de um anjo, talvez você encontre algum conforto aqui.
Tão cansado de seguir em frente, e para todo lugar que você se vira.
Existem abutres e ladrões nas suas costas,
E a tempestade continua se retorcendo, você continua construindo a mentira.
Que você inventa para tudo que lhe falta
Não faz nenhuma diferença, escapar uma última vez.
É mais fácil acreditar
Nesta doce loucura, oh esta gloriosa tristeza.
Que me faz ajoelhar.
Nos braços de um anjo, voe para longe daqui.
Deste escuro e frio quarto de hotel, e da imensidão que você teme.
Você é arrancado das ruínas, de seu devaneio silencioso.
Você está nos braços de um anjo, talvez você encontre algum conforto aqui.

Essa é umas das músicas que eu gosto, mas tem também essa aqui para você MEU AMOR!BRUNA:
Snow Patrol:
You Could Be Happy
You could be happy and I won't know
But you weren't happy the day I watched you go
And all the things that I wished I had not said
Are played in loops’
Till it's madness in my head
Is it too late to remind you how we were?
But not our last days of silence, screaming, blur
Most of what I remember makes me sure
I should have stopped you from walking out the door
You could be happy, I hope you are
You made me happier than I'd been by far
Somehow everything I own smells of you
And for the tiniest moment it's all not true
Do the things that you always wanted to
Without me there to hold you back, don't think, just do
More than anything I want to see you, girl
Take a glorious bite out of the whole world
Você Deveria Estar Feliz
Você poderia estar feliz e eu sem saber
Mas você não estava feliz no dia que te vi partir
E todas as coisas que desejei não ter dito
São tocadas nos meus lábios
Até o momento que se torna loucura em minha cabeça
É muito tarde pra te lembrar como nos éramos
Mas não nossos últimos dias de silencio, gritando, obscuros.
Quase tudo de que lembro me dá certeza
Eu devia ter te impedido de passar porta afora
Você poderia ser feliz, eu espero que você seja.
Você me fez mais feliz do que tinha sido até então
De algum jeito tudo que tenho cheira a você
E pelo minúsculo momento é tudo mentira
Faça as coisas que você sempre quis
Sem eu ali para te segurar, não pense, apenas faça.
Mais do que qualquer coisa eu quero ver você, garota.
Retire um glorioso pedaço do mundo inteiro
Bruna depois de um tempo, dá uma chance para Wallace, que fez de tudo para conquistá-la. Eles começam a namorar. Bruna e Wallace por incrível que pareça, se dão super bem, juntos. Ele conseguiu parar com as drogas totalmente. Camila e Dona Laura criam uma ONG para tirar jovens viciados das ruas. Assim, Dona Laura consegue ajudar os jovens, e em seu coração, ela está ajudando de algum modo o filho, em memória.

Essa é uma história fictícia, mas com a intenção de alertar os jovens sobre as drogas e seu poder destruidor.


                          FIM

sábado, 27 de dezembro de 2014

Episódio 2: Espírito do Natal (ÚLTIMO)

Márcia ouviu um barulho muito alto que vinha do outro lado do telefone e perguntou pelo ex-marido:
- Leandro? Leandro?
Não ouvindo nada, Márcia desesperou-se e comentou com Célia:
- Célia, ele não diz mais nada, eu ouvi um barulho muito alto.
- Meu Deus. Coisa boa que não foi.
- Vira essa boca para lá, Célia. O celular deve ter caído da mão dele.
- Não sei não, Márcia. Ele disse mais alguma coisa?
- Não. Vou esperar um pouco. - disse Márcia, com o telefone ainda na orelha.
Márcia ficou esperando ouvir algum barulho e só ouviu:
- Socorro!
A voz parecia ser de Gabi, então Márcia desesperou-se:
- Célia, precisamos saber onde eles estão. A Gabi tá gritando socorro.
- Pergunta o que aconteceu. - recomendou Célia.
Márcia perguntou, pelo telefone, o que havia acontecido, mas ninguém do carro conseguia ouvir ela falando. Desesperada, Márcia resolveu ligar para a polícia:
- Bom di.. boa tarde. Preciso da ajuda da polícia.
- Boa tarde. Por quê, senhora?
- Meus filhos estavam no carro com meu marido, acho que eles sofreram um grave acidente.
- Em qual estrada?
- Não sei, só sei que era na saída da cidade. Eu posso passar o telefone dele.
- Ótimo, assim rastreamos.
Márcia passou o número de Leandro para  a polícia e um agente da polícia disse que iria à casa de Márcia para levá-la ao local do possível.
- Márcia, você não sabia que sua relação com Leandro estava tão forte assim.
- Claro que não está.
- Você disse pra polícia que ele é seu marido.
- Eu disse isso?
- Sim.
- Me confundi com a emoção do momento.
- Sei.
- Agora precisamos descobrir algo sobre meus filhos e ele.
- Daqui a pouco a polícia vem aqui.
Enquanto a polícia não chegava, Célia preparava a ceia de Natal.
- Célia, o que você tá fazendo?
- Preparando a ceia, vou colocar a mesa agora.
Célia pegou cinco pratos para arrumar a mesa.
- Célia, somos quatro. Não sabe contar, não? Eu, você  e as crianças.
- Cinco! Tem o Leandro.
- Para com isso, Célia. Tô muito preocupada com as crianças.
- Essa polícia é muito lerda.
- Esse é o Brasil!
- Pois é.
Cerca de quinze minutos depois, a polícia apareceu na casa de Márcia. O policial Arnaldo foi falar com Márcia e Célia:
- Por favor, venham logo. A ambulância já está no local do acidente, vamos direto para o hospital.
- Poxa, vocês demoraram muito. - disse Célia.
- Senhora, viemos o mais rápido possível.
- Tá. Onde foi esse acidente? - perguntou Márcia preocupada.
- Como a senhora disse, na estrada de saída da cidade.
- O acidente foi grave?
- Foi um pouco. Só teremos certeza quando chegarmos ao hospital.
Márcia ficou muito preocupada e Célia a confortou:
- Fique calma, amiga.
- Como você quer calma? Leandro e as crianças sofreram um grave acidente de carro.
- Tá.
Enquanto isso, no local do acidente, os médicos da ambulância encontraram Gabi com pequenos ferimentos na cabeça e nos braços, Leandro estava desacordado e Guilherme não dava sinais de estar vivo. A equipe médica logo ficou preocupada com pai e filho, então logo o colocaram na ambulância para fazer com que eles respirassem e tentassem resgatar a vida dos dois.
Dentro do carro, os policiais receberam a notícia e repassaram para Márcia e Célia:
- Senhoras, tenho  duas notícias para contar: uma boa e uma ruim. Qual as senhoras querem primeiro?
- A ruim. - disse Márcia.
- O Leandro está desacordado e Guilherme não dá sinais de vida.
- E a Gabi? - perguntou Célia.
- Essa é a notícia boa. Ela só está com arranhões.
- Onde eles estão?
- Na ambulância, indo pro hospital.
- Eles vão demorar?
- Não, vamos chegar um pouco depois.
- Tá, então acelera isso.
- Estamos indo na velocidade permitida.
- Ah, meu Deus, uma tartaruga vai mais rápido que esse carro.
- Dona Márcia, acalme-se.
- Você me pede pra ficar calma?! Se fosse seus filhos lá, você estaria fazendo o mesmo.
- Eu não tenho filhos.
- Então se sua mãe estive lá então.
- Ela já morreu.
- Então se fosse sua esposa, seu marido, sei lá...
- Mais respeito, senhora.
- Já chegamos nesse hospital?
- Não.
- Meu Deus. Vocês são umas tartarugas. Me lembra aquela música das Frenéticas, ''Lesma lerda''. - disse Márcia, rindo.
- Márcia, fica um pouco quieta. Eles vão te prender por desacato. - aconselhou Célia.
- Tá, amiga.
A ambulância chegou ao hospital e em seguida, Márcia e Célia chegaram com os policiais. Márcia, desesperada, correu para procurar os filhos e o ex-marido.
- Moça, cadê meus filhos? - perguntou Márcia à recepcionista.
- Quem são eles, senhora?
- Eles vieram da ambulância.
- O acidente da estrada?
- Sim.
- Eles acabaram de chegar. Vá até o fim do corredor, eles estão lá.
Márcia correu desesperada até o fim do corredor que a recepcionista havia dito, acompanhada da amiga fiel Célia. Elas logo viram Gabi chorando e assustada.
- Mamãe, o que aconteceu?
- Gabi, você tá bem?
- Tô sim, mas e o papai e o Gui?
- Não sei deles, vou ver agora. Filha, vai com a tia Célia para casa preparar a ceia.
- Isso, Gabi, vem comigo. - chamou Célia.
- Mas eu quero ver o papai e o Gui. Eles vão morrer? - perguntou Gabriela.
- Nã... não sei. - disse Márcia com incerteza.
- Vai lá, Márcia. - recomendou Célia.
- Tá. Gabi, fica quietinha em casa e façam uma comida bem gostosa. - falou Márcia, que logo foi acompanhar Guilherme e Leandro.
Márcia encontrou um médico perto do filho e do ex-marido e perguntou:
- Doutor, eu sou mãe do Guilherme.
- Boa tarde, eu sou o doutor José Marcos e cuidarei dele. O homem é seu marido?
- Nã... é sim, doutor.
- Bem, o acidente foi bem grave.
- Tá, isso eu sei, mas como eles estão?
- Olha, o seu marido está somente desmaiado, mas o Guilherme...
- O que tem com ele?
- Ele não tá respirando.
- Ele morreu? - perguntou Márcia, chorando.
- Ainda não podemos declarar óbito. Estamos tentando o máximo para isso não ocorrer.
- Doutor, eu tenho uma coisa para falar.
- Pode falar.
- A gente suspeita que ele tenha leucemia.
- Como assim?
- Ontem, ele sangrou no nariz do nada e o joelho ficou doendo, aí hoje de manhã na TV falaram que esses eram alguns sintomas.
- É, mas não são os únicos, existem outros também, mas para comprovar vamos fazer um exame de sangue, o hemograma, e um exame da medula óssea, que chamamos de mielograma.
- Tá, mas quanto tempo ficam prontos os resultados?
- Com o hemograma que fica pronto em algumas horas aqui nesse hospital, se tiver alterado, ficaremos em alerta, mas o mielograma demora entre 3 e 7 dias, aí sim teremos o diagnóstico.
- Meu Deus, eu estou muito nervosa e  preocupada.
- Fique tranquila.
- Vou tentar. Eu sei que é Natal, o senhor deve querer ir para sua casa mas por favor cuida deles.
- Essa é a minha profissão, senhora. Pode ter a certeza de que eu farei o meu máximo.
- Muito obrigada.
- Não precisa agradecer. Agora eu preciso ir.
- Eu posso ir?
- Bem, como o estado do Guilherme está grave, a senhora só vai poder ver o Leandro, seu esposo. Ele deve estar acordando, vamos fazer uns curativos  e ele estará liberado.
- Tá bem.
O doutor José Marcos pediu para uma enfermeira acompanhar Márcia até o quarto onde Leandro estava. Chegando ao quarto, Márcia encontrou-o acordado.
- Oi Leandro.
- Oi Márcia.
- Vou deixar você com sua esposa, seu Leandro. - disse uma enfermeira.
- Ele não é meu marido.
- Não foi isso que você andou falando pra todo mundo por aí. - disse Leandro.
- Depois a gente fala disso, Leandro.
- Por que adiar?
- Você ainda pergunta isso? Nosso filho não tá respirando.
- Ele morreu?
- O médico disse que não dá pra falar isso ainda, tão tentando de tudo.
- E a Gabi?
- Ela foi pra casa com a Célia.
- Tá. Por que você disse que achava que o Gui tava com leucemia?
- Lembra que eu te disse das dores e do sangramento de ontem?!
- Sim.
- Então, hoje na TV disseram que esses são alguns sintomas da leucemia.
- Sério?
- Não, Leandro, estou zoando com a sua cara. - disse Márcia, ironicamente.
- Fala sério.
- Estou falando sério.
- O médico confirmou?
- Ele vai fazer um hemograma. Aí se tiver alterado, eles ficarão de olho.
- Em quanto tempo fica pronto?
- Algumas horas. Aí também farão um mielograma.
- O que é isso?
- Exame da medula óssea.
- Continua.
- Então, com esse que teremos o diagnóstico, mas esse demora um pouco mais.
- Quanto tempo?
- Entre 3 e 7 dias.
- Tomara que o Gui fique bem.
- Eu vou na capela do hospital.
- Está bem.
Enquanto isso, na casa de Márcia, os policias chegaram para interrogar Célia e fazer perguntas à Gabriela.
- O que os senhores precisam de mim? - perguntou Célia.
- Bem, dona Célia, a dona Márcia é casada com o Leandro?
- Sim.
- Eles moram juntos?
- Não, eles tiveram um probleminha de casal mas estão voltando.
- As crianças ainda veem ele?
- Claro.
- Que probleminha foi esse?
- Vocês, representantes da polícia, deveriam saber. Mas eu conto: ele se envolveu com drogas e muamba, mas já pagou a pena dele.
- Eles são separados no papel?
- Não, eles não quiseram.
- Por quê?
- Por algum motivo eu me chamo Márcia ou Leandro? Não! Perguntem a eles.
- Calma, senhora.
- Estou calmíssima. Tenho que fazer a ceia e cuidar da Gabi.
- Chame ela aqui por favor.
- Tá.
Célia foi chamar Gabi.
- Oi, Gabi. - disse o policial.
- Oi.
- Seus papais moram juntos?
- Não, papai mora longe, mas ele sempre sai com a gente.
- Vocês gostam de sair junto com ele?
- Sim.
- Por que ele não mora mais aqui?
- Ele teve uns problemas. Foi o que a mamãe nos contou.
- Ele ainda fala com sua mãe?
- Sim.
- Hoje, na estrada, seu pai fazia algo enquanto dirigia?
- Não.
- Alguém ligou para ele?
- Sim, mas o Gui atendeu.
- Quem era?
- A mamãe, para saber do Gui.
- Saber sobre o que?
- Policial, melhor não forçar, ela está abalada com o estado do irmão. - interrompeu Célia.
- Está bem. Dona Célia, muito obrigado e Feliz Natal.
Os policiais logo saíram da casa. Preocupada com a amiga, Célia ligou para Márcia, que estava indo  à capela rezar pela melhora do filho.
- O que houve, Célia?
- Márcia, os policiais tão aí?
- Eu estou indo pra capela rezar, mas tem uns aqui perto.
- Fica de olho. Eles vieram aqui pra interrogar a gente.
- O que eles queriam?
- Saber sobre você e o Leandro.
- O que você disse?
- Que vocês tiveram um probleminha mas estão voltando, e disse que vocês não são separados no papel.
- Isso da separação é verdade. O que você acha que eles querem saber de mim?
- Muitas coisas, mas responde mais ou menos o que eu disse.
- Entendi.
- Acho que eles podem querem botar Leandro na cadeia.
- Por quê?
- Ele tava saindo da cidade sem te comunicar, não foi isso que o juiz permitiu no tribunal, e podem dizer que ele queria matar as crianças.
- Você acha isso?
- Sim, e ainda podem aplicar multa se souberem que ele falava no telefone enquanto dirigia.
- Tá, obrigada Célia.
- Você vai proteger ele?
- Claro, ele é o meu pai dos meus filhos, não quero que meus filhos com um pai na prisão novamente.
- Só por isso?
- Só. Qual outro motivo eu teria?
- Você ainda gosta dele né?
- Sinceramente, sim. Eu sempre amei ele.
- Sempre soube. - ri Célia.
- Tem policial vindo na minha direção, vou desligar.
- Está bem. Boa sorte, estamos rezando aqui.
Os policias viram Márcia e a chamaram.
- Dona Márcia, você precisa responder umas perguntas nossas.
- Não tem como eu ir pra delegacia, porque meu filho está em estado grave.
- Podemos te perguntar aqui mesmo. Por favor, sente-se aqui. - disse o policial e Márcia fez o que ele pediu.
- O que vocês querem saber?
- A senhora é casada com Leandro?
- No papel, sim.
- Mas vocês moram juntos?
- Não, ele saiu porque se envolveu com drogas e pirataria, aí foi preso, mas está reconstruindo a vida.
- Ele vê seus filhos?
- Sim.
- A senhora é a favor disso?
- Sim. Meus filhos sempre gostaram muito dele.
- E a senhora?
- O que tem eu?
- A senhora ainda gosta dele?
- Querido, da minha vida amorosa cuido eu.
- Está bem. O que ele fazia enquanto dirigia?
- Como eu vou saber? Não estava lá.
- Ele costuma falar no celular dirigindo?
- Não.
- Como é o trato entre vocês para os passeios?
- Ele deve me comunicar onde vai.
- Ele te disse que ia sair da cidade?
- Sim.
- A senhora aprova isso?
- Desde que ele me avise, sim.
- Para a senhora, qual foi a causa do acidente?
- Acidentes acontecem diariamente. Leandro é muito atento.
- A senhora ligou para ele hoje?
- Sim, mas falei com o Guilherme.
- Para saber do que?
- Achamos que ele pode ter leucemia, só esperamos os exames e ele voltar a respirar.
- Obrigado, dona Márcia.
- Tchau.
Márcia afastou-se mas conseguiu ouvir dois policiais conversando:
- Você falou com o caminhoneiro?
- Sim, ele tem amnésia. Não lembra de absolutamente nada.
- Que droga.
- Aham. Velho inútil.
- O que vamos fazer?
- Tem que arquivar o caso, nada mais a fazer.
Feliz com a notícia mas destruída por dentro por causa do filho, Márcia foi rezar na capela. Depois, juntou-se ao marido e esperaram durante algumas horas o  médico José. Perto das 23 horas do dia 24 de dezembro, o médico chegou com uma notícia:
- Dona Márcia e seu Leandro, tenho uma notícia.
- Fala, doutor.
- Ele vai acordar daqui a pouco, o efeito do anestesia está acabando. O resultado do hemograma sairá em uma hora.
- Mas ele poderá ir para casa hoje?
- Infelizmente não. Ficará de repouso aqui até amanhã.
- E a ceia, Márcia? - perguntou Leandro.
- Sabe aquela frase sobre Maomé? - questionou Márcia.
- Qual?
- Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé.
- Traduzindo...
- Vamos trazer tudo da ceia para cá. Doutor, tem como arrumar uma sala para fazermos isso? - perguntou Márcia ao médico.
- Sim.
- Obrigada. Temos uma hora então.
Márcia ligou para Célia e em uma hora, tudo da ceia de Natal estava numa sala bastante enfeitada e bonita. Exatamente quando o relógio marcou meia noite, Guilherme abriu os olhos, emocionando todos que estavam por perto.
- Doutor, temos o resultado do hemograma?
- Sim. Ele não está alterado.
Todos estavam comemorando, mas o médico avisou:
- Quase sempre, os exames acertam mas pode ser que ele tenha errado, mas tudo isso será esclarecido em alguns dias. Pelas festas de fim de ano, dia 31 sai o resultado.
Todos ficaram muito felizes e conseguiram comer a comida da ceia mais tranquilos. Depois da ceia, foi o momento da entrega dos presentes. Guilherme e Gabi ganharam os brinquedos que desejavam e Leandro fez uma declaração para Márcia:
- Márcia, mesmo com todos os problemas nos quais eu me envolvi, você sempre esteve próxima, por isso quero fazer com você uma festa de renovação de votos. Aceita? - disse ele, entregando um anel muito bonito para Márcia.
- Claro.
Os dois se beijaram e todos aplaudiram o momento. Aquele dia foi muito especial para Márcia e toda sua família. Para ela, quem salvou seu filho e aquele Natal foi o verdadeiro espírito do Natal.
Alguns dias passaram-se e toda a família, muito ansiosa, foi ao hospital no dia 31 para buscar o resultado do mielograma. O doutor José Marcos anunciou:
- Esse exame é o que vale realmente. Guilherme, fique tranquilo e curta sua vida, porque você não tem leucemia.
Toda a família ficou muito feliz e todos abraçaram Guilherme. Para eles, aquele fim de ano foi marcado como uma época especial, onde prevaleceu o bom espírito do Natal, e por que não do Ano Novo também?!



Episódio 6: Orações para Bobby

No Episódio Anterior...
Mary: Bobby, já não basta você andar sabe lá Deus com quem, você ainda trás estes desviados na minha casa.

Robert: Acho que você está sufocando o garoto.
Mary: Se você não tem força suficiente para lidar com isso então pelo menos não me recrimine.

Bobby (indo ao encontro de Jeanette): Eu não acredito.
Jeanette (abrindo os braços): Que lindo!

Mary: A bíblia trata a homossexualidade como um pecado e isso não pode ser deturpado.
Jeanette: Eu particularmente acho que todos deveriam amar quem elas bem quisessem.

Bobby: Eles não conseguem amar um filho pecador.
Jeanette: Eles deveriam amar o filho independentemente do pecado. Vê se pensa na minha proposta de ir a Portland. Você vai amar.

Jeanette: David?
David (surpreso): Jeanette?
Jeanette: Este aqui é o meu primo, Bobby.

David: A Jeanette me disse que os seus pais estão querendo te curar da homossexualidade.
Bobby: Sim. Eles não aceitam muito.
David: Apenas não pare de tentar.

David beija Bobby.
David: Não importa o que aconteça, não tenha medo de enfrenta-la.

...
Episódio – O MERGULHO

Cena 01 – Portland/Ponte/Noite
Bobby caminha sobre a ponte. Estava chorando. Ele para no meio e começa a olhar os carros passando em baixo. Lentamente ele sobe sobre a proteção e fica em pé. Bobby vira de costas e abre os braços.

                              Dias antes...

Cena 02 – Casa dos Griffith/Frent/Noite
Bobby aperta a campainha. Robert abre a porta.
Robert (feliz): Mas que surpresa boa.
Bobby (abraçando Robert): Olá, pai.
Robert: Chegou bem na hora do jantar. Hoje temos pizza. Entre.

Cena 03 – Casa dos Griffith/Sala de Visita/Noite

Estavam reunidos, Robert, Mary, Ed, Joy, Nancy e Bobby. Sentados e comendo fatias de pizza.
Joy: Então você aproveitou bem as suas férias.
Bobby: E muito. Portland é um lugar incrível. Estou pensando em mudar para lá ano que vem.
Mary (surpresa): Mudar?
Bobby (sem jeito): É. Eu conheci uma pessoa.
Nancy: Uuuuhhh!
Bobby (sem jeito): Um cara.
Mary (levantando e recolhendo os pratos): Muito bem meninas, me ajudem com isso.
Mary sai da sala.
Robert: Bobby, talvez não tenha sido uma boa hora.
Bobby (levantando): Eu sei. Me desculpa.
Bobby sai da sala.
Nancy: Devemos fazer de conta que não ouvimos isso?
Joy (séria): Sim.

Cena 04 – Casa dos Griffith/Cozinha/Noite

Mary estava lavando a louça. Bobby entra na cozinha.
Bobby: Mãe.
Mary: Deveria terminar os estudos. É bom tirar um tempo para descansar, mas depois devemos retomar os nossos deveres.
Bobby: Você ouviu o que eu disse?
Mary: Ouvi sim, mas prefiro não falar sobre isso.
Bobby: EU passei os últimos dois anos ouvindo você e você vai me ouvir agora.
Mary: Nós sempre começamos isso e se não vamos chegar a lugar nenhum é melhor nem falar.
Bobby: O nome dele é David...
Mary: EU já disse que não quero saber de nada.
Bobby (bravo): Mais eu quero que você saiba.
Mary (séria): Estou falando sério, Bobby.
Bobby: Ele é tão bom e gentil. Quando estou com ele eu me sinto tão bem. Mas quando ele me abraça ou me beija em público, eu me afasto. EU sinto vergonha.
Mary: Porque você sabe que é errado.
Bobby: Porque você me disse que é errado.
Mary: Não sou eu, é a bíblia.
Bobby: Não é a bíblia. É você. Porque não admite que não aceita o jeito que eu sou.
Mary: O que você se tornou.
Bobby (alterando a voz): É o que eu sou. Eu sinto muito se não sou o Bobby perfeito que você sempre sonhou, mãe. Mas não posso continuar pedindo desculpas por isso. Me aceita como eu sou ou me esqueça.
Um breve pausa.
Mary (séria): Eu não vou ter um filho gay.
Bobby (chorando): Então você não tem um filho mãe.
Mary (segurando as lágrimas): Ótimo.
Bobby sai da cozinha.

Cena 05 – Casa dos Griffith/Frente/Noite

Bobby senta em um banco, chorando. Joy se aproxima e senta ao lado dele.
Joy: Você realmente achou que ela teria mudado?
Bobby: Ela disse mesmo aquilo?
Joy: Olha, Bobby. Eu não conheço esse cara, mas ele deve ser uma pessoa legal. Só que vai ser uma vida vazia. Vocês nunca serão bem vindos nesta casa, nem no natal, dia de ação de graças ou ano novo. Não importa o que aconteça, ela nunca vai mudar.
Joy abraça Bobby.

Cena 06 – Casa dos Griffith/Frente/Dia

Robert, Joy, Ed e Nancy estavam se despedindo de Bobby. Mary observava tudo escondida atrás da cortina da janela. Bobby olha para a janela.
Robert: Não se preocupe. Ela vai ficar bem.
Bobby (entregando algo para Ed): Toma. É para você.
Ed (surpreso): Uau! É uma calça de paraquedas. Legal. (Ed abraça Bobby) Se cuida lá.
Bobby (olhando para Joy): Te mando meu primeiro romance quando terminar de escrever.
Joy (abraçando Bobby): Acho bom.
Nancy: Se cuida, cabeção.
Bobby aperta as bochechas de Nancy e abraça ela. Boby olha para Robert.
Robert (de braços cruzados): Dirija com cuidado.
Bobby: Tudo bem.
Bobby entra no carro e sai. Mary chora ao ver ele partindo.

Cena 07 – Portland/Apartamento de Jeanette/Noite

Jeanette abre a porta.
Jeanette (abraçando Bobby): Eu sinto muito.

Cena 08 – Casa dos Griffith/Quarto de Mary/Noite

Mary está deitada em sua cama abraçada a uma foto de Bobby. Estava escuro.

Cena 09 – Portland/Asilo/Dia

Bobby estava trabalhando em um asilo. Cuidava de idosos. Empurrava cadeiras de rodas e fazias outras atividades.

Cena 10 – Casa dos Griffith/Cozinha/Dia

Mary estava preparando o jantar. A televisão estava ligada no noticiário.
Repórter (TV): Uma nova doença está assustando os moradores dos Estados Unidos. Chamada de AIDS, a doença parece estar concentrada na comunidade homossexual. (Mary começa a observar a TV) Por isso, a AIDS já é conhecida como a doença dos gays.

Cena 11 – Portland/Apartamento de Jeanette/Sala

Dia do Aniversário de Bobby. Bobby estava sentado à mesa. Jeanette se aproxima com uma caixa.
Jeanette (entregando a caixa): Acabou de chegar. É de Walnut Creeck.
Bobby (olhando o endereço): É da minha mãe.
Jeanette: Nossa! Sua mãe te mandou um presente.
Bobby (abrindo a caixa): Estranho mesmo. Bom, vamos ver.
Jeanette: Fiquei curiosa agora.
Dentro da caixa havia um suéter e um folheto.
Bobby: Nenhum cartão, um suéter e um folheto: AIDS, a ira de Deus.
Jeanette (decepcionada): Acho que não poderíamos esperar nada de diferente vindo da tia Mary.
Bobby (triste): É estranho, porque os aniversários sempre foram datas importantes para nós. Agora não existe mais nós.
Ouve-se o som de uma buzina.
Bobby (olhando pela janela): O David veio me buscar.
Jeanette (virando o rosto para Bobby dar um beijo): Divirta-se com a família do David.

Cena 12 – Frente da casa de David/Carro/Dia

David desliga o carro. Bobby olha para a casa.
Bobby: Será que os seus pais vão gostar de mim?
David (passando a mão em seu rosto): Claro. Eles vão adorar você.
Bobby: Assim espero.
David (tirando o cinto de segurança): Vamos lá.

Cena 13 – Casa de David/Sala de Jantar/Dia

Bobby estava sentado ao lado de David. A mãe de David, Elisabeth, e o pai dele, Kevin, estavam sentados do outro lado da mesa.
David (rindo): Não acredito que você contou essa história para o Bobby.
Kevin (rindo): Mas é claro. E eu tenho muito mais de onde veio esta. Você quer ouvir, Bobby?
David: Por favor, diga que não.
Bobby (rindo): Acho melhor não.
Elisabeth: E então Bobby. O David nos disse que seus pais são de Walnut Creeck. Você cresceu lá?
Bobby: Ah, sim. Passei boa parte da minha vida por lá.
Elisabeth: E como os seus pais lidam com o fato de você ser homossexual?
Bobby (sem jeito): Bem. Eles não reagiram muito bem ao saber.
Elisabeth: Entendo. É difícil no começo, mas depois eles vão acabar aceitando. Você me parece ser um garoto muito bom.
Bobby: É.
Kevin (erguendo o copo): Eu proponho um brinde. A saúde.
Todos (erguendo os copos): Saúde.

Cena 14 – Portland/Asilo de Portland/Sala de Bobby/Noite

Bobby fica perturbado. Ele chora. Bobby pega seu diário e começa a escrever...

“Querido Deus: você está aí? Eu pergunto por que eu realmente não sei... Às vezes, estou muito machucado, e eu estou com medo e sozinho. Eu me pergunto por que você ou alguém que não ajuda. Estou tão louco e frustrado, me parece estar no fim da estrada. Por que você permanecer em silêncio?”

Bobby liga para David. A ligação cai na secretária eletrônica.
Secretária eletrônica: Olá, é o David. Se estiver ouvindo isso é porque não estou, então já sabe o que fazer depois do bipe... [Som:BIP]
Bobby (triste): David? Você está aí? Eu só quero conversar um pouco. Me liga quando ouvir essa mensagem.

Cena 15 – Casa dos Griffith/Quarto de Mary/Noite

Mary estava rezando, sentada em sua cama.
Mary (com as mãos juntas e olhos fechados): Querido Deus, continua e condenar o pecado no coração de Bobby. Faça com que ele consiga se livrar desse caminho de perdição.

Cena 16 – Portland/Rua/Noite

Bobby estava dentro de seu carro dirigindo. Estava chorando. Ele passa em frente a uma boate e vê David saindo de dentro com um rapaz. Estavam alegres. Bobby sente uma angústia e intensifica seu choro.

Cena 17 – Casa dos Griffith/Quarto de Mary/Noite

Mary continua rezando.
Mary: Faça com que Bobby encontre o caminho de volta para casa. Não deixe que ele permita o pecado em sua vida. Acredito em seu poder e sei que irá afastar o meu filho desse caminho repugnante.

Cena 18 – Portland/Asilo de Portland/Interior/Noite

Bobby sai de sua sala e fecha a porta. Ele começa a caminhar e para. Ele volta até a porta e coloca sua chave sobre uma mesa. Em seguida ele vai embora.

Cena 19 – Portland/Ponte/Noite

Bobby Para seu carro. Ele sai de dentro e começa a caminhar. Estava chorando. Em sua cabeça vinham pensamentos de tudo o que lhe acontecera nos últimos anos.

Ed: Você tomou isso? Responde.
Joy: Será uma vida solitária. Vocês jamais seriam aceitos aqui em casa.
Owens: O poder da oração é a chave para nossa libertação.
Michelle: EU fiz algo de errado?

Bobby para no meio da ponte e observa os carros passando em baixo. Ele sobe na proteção e fica em pé, virando de costas para a rodovia em baixo.

Mary: Isso é pecado.
Robert: Às vezes precisamos tomar decisões.
Joy: Não importa o que você faça ela nunca vai mudar.

Bobby Abre os braços.

Mary: Eu não vou ter um filho gay.

Bobby, chorando, suspira profundamente e se joga da ponte.