Meses depois, Daniel quase nem liga mais
para seu computador, pois ele só pensa em namorar muito e sair com Bruna e
também quase não escreve em seu diário que ele era muito apegado. Ele e Wallace
conversam em seu quarto:
— Você tem que se soltar mais com a
Bruna, se não ela vai meter o pé na sua bunda.
— Como assim, me soltar mais?
— Vocês já transaram que todos
sabem. Você era virgem, e ela não.
— O que tem isso?
— Então você perdeu sua
virgindade com e ela e você deve ter gamado, não?
— Gamado não: eu estou apenas
apaixonado, e ela também.
— Ela é mais nova, e não era virgem e
você mais velho, era, cara.
— Não vem colocar “pilha errada” no meu
namoro não, Wallace! Valeu?! —Sou um ano só mais velho, que ela.
— Você tem que mudar “rapá”; ainda está
muito tímido, e mulher não gosta de homens muito tímidos. Eu tenho umas
balinhas, que você vai se soltar rapidinho.
— Que balinhas, o quê!
Nisso entra no quarto Bruna e Wallace;
para não atrapalhar, o casal se retira e fala para Daniel:
— Se você mudar de ideia me fala, viu
brother.
— Eu não vou mudar de ideia, nunca.
Wallace vai embora. Daniel e Bruna ficam
namorando no quarto, até que sua mãe os chama para fazer um lanche. Dona Laura
diz que estar cansada, e vai se deitar um pouco. Daniel fica preocupado, pois a
mãe é forte e nunca fica indisposta. Bruna, para não deixá-lo mais
despreocupado diz que deve ser porque ela trabalha muito. Passa uma semana e
Daniel percebe que a mãe está um pouco abatida, e resolve levá-la ao médico.
Realmente Dona Laura está com um problema nos rins e tem que ficar internada.
Daniel, o tempo todo que a mãe está no hospital fica ao seu lado, e só sai para
ir em casa almoçar e jantar, e volta para ficar com ela. Nisso, ele pede
licença no trabalho e quase não tem tempo para a namorada, e para seus amigos
que ligam e falam que ele não deve ficar o tempo todo no hospital, pois ele tem
que seguir a vida, mas ele quer ficar ali no hospital, até a mãe ter alta.
Depois de semanas internada, Dona Laura tem alta e vai para casa, ainda frágil
e magra. Daniel, como um bom filho que é, cuida dela com todo carinho do mundo,
até que sua mãe enfim, se recupera e volta a trabalhar.
— Meu filho! Graças a Deus e a você, eu
já estou ótima e vou voltar a trabalhar. E você também filho, volta para o
trabalho, que a mamãe já está bem.
— A senhora tá bem mesmo, “né”, mãe?
— Sim, meu filho; eu estou bem!Você
precisa voltar à sua rotina, já perdeu muito tempo comigo filho.
— Tempo nada; com a senhora eu só ganho,
pois a senhora é quem me deu a vida e eu não podia deixar a senhora perder a
sua, jamais!
Eles se abraçam e choram juntos. Daniel
volta à sua rotina e vai para o trabalho, mas com Bruna, a coisa muda um pouco;
ela fica muito chateada por ele ter deixado ela de lado, durante o tempo que a
mãe ficou internada e o namoro dos dois fica estremecido, e eles conversam
sobre isso:
— Você me deixou fora da sua vida,
quando sua mãe estava doente.
— Mas Bruna, eu tinha que ficar do lado
da minha mãe, sozinho; eu precisava desse tempo, para cuidar dela.
— Tudo bem cuidar da mãe ou de quem for,
mas tem que contar com a ajuda dos amigos e da namorada. Você é certinho,
demais.
— Mas você me conheceu assim, você se
lembra?
— Eu sei, e não quero que você mude por
mim, mas sim, por você mesmo.
— Eu não vou mesmo mudar meu jeito por
ninguém; eu sou assim. Quando tenho que ajudar minha mãe, eu ajudo, quando for
para ajudar você ou qualquer outra pessoa, eu ajudo e apoio também, mas do meu
jeito.
— Eu acho melhor, a gente dá um tempo.
— Se você quer assim, tudo bem, mas
saiba que eu te amo, e muito. Daniel passando a mão em seu rosto.
— Eu também gosto muito de você, mas vai
ser melhor.
Depois do término do namoro, Daniel fica
bem triste, afinal, era sua primeira namorada e ele é totalmente apaixonado por
ela. Então Daniel, para não ficar agarrado no quarto em seu computador, passa a
sair mais com Wallace, que sempre oferece drogas para ele, que recusa e não
aceita, mas uma dessas noites que ele saiu com Wallace, Daniel que já tinha
perdido a namorada, e estava desgostoso da vida e não é de aço, acaba aceitando
e acha bom. A partir daí, ele começa a usar drogas e cada vez mais e vai
gostando e acaba se viciando, Camila, sua amiga, percebe que depois de um tempo
Daniel está totalmente diferente, e vai à sua casa, conversar com Dona Laura.
— Oi, Dona Laura! Tudo bem com a
senhora?
— Oi, minha filha; eu estou bem sim. E
você?
— Eu estou bem, mas um pouco preocupada,
com o Daniel.
— Com o Daniel? E porque, minha filha? O
que houve?
— A senhora não achou ele diferente, nas
últimas semanas?
— Bom! Eu percebi que ele está saindo
mais, e não tem ficado tanto tempo no computador, mesmo com o fim do namoro dele
com aquela menina, a Bruna, um amor de menina. Que pena que eles deram um
tempo; ela fazia muito bem a ele, mas ele continua feliz; é o que me parece.
— Mas ele continua amoroso com a senhora?
E ele tem chegado muito tarde em casa?
Dona Laura — Ele tem chegado um pouco
tarde sim, mas normal, afinal, foi eu mesma que falei para ele sair, e se
divertir.
— Tá bem então, mas quando ele chegar, a
senhora repara nele, tá?
— Pode deixar minha filha; eu vou ficar
atenta; ele é um bom menino, e não vai pela cabeça dos outros, afinal, ele não
é piolho. Dona Laura sorrindo, mas um pouco preocupada com a conversa.
Já pelas ruas, Wallace e Daniel usam
drogas, bebem e ficam doidos, mas a droga acaba e Daniel já viciado, quer mais
e chama Wallace para eles irem ao beco, atrás de Pedrão, Eles mesmo sem
dinheiro para pagar, vão tentar comprar drogas fiado com Pedrão; chegando nesse
beco que Wallace já conhecia muito bem, eles encontram Pedrão e conseguem as
drogas fiado, mas são ameaçados, como de costume. Em casa, Dona Laura fica preocupada com
Daniel, que não chegou é já se passa das 02.00min. Ela não dorme, enquanto ele
não chega. Passam várias horas e Daniel chega. O relógio marca 05.00min. Daniel
chega dando socos na parede e falando coisas sem sentido e Dona Laura, que já
estava ali no sofá cochilando acorda assustada, pois nunca tinha visto Daniel
daquele jeito. Ela pergunta:
— O que há com você, meu filho?
— Nada. Eu pareço mal?Hein... Hein...!
Eu pareço mal? — responde Daniel todo
agitado, e com os olhos vermelhos e dilatados.
— Eu não disse que você está mal, é que
você estava socando as paredes. O que foi meu filho?
Daniel gemendo como se estivesse sentido
dor, vai para o quarto e bate a porta bem forte e Dona Laura decide não ir
atrás dele e espera o dia clarear para conversar com o filho. Quando sol nasce,
Dona Laura vai até o quarto de Daniel e o acorda, pois já amanheceu e ela
precisa saber o que foi aquilo, de horas atrás.
—
Acorda! Acorda! Daniel, já é tarde!
Levanta que eu quero falar com você.
— O que foi? Deixe-me dormir; eu estou
com dor de cabeça. Vai encher o saco de outro!
— O que é isso? Você nunca falou assim,
comigo.
— Sempre tem a primeira vez, “né?” Agora
faz favor: sai do meu quarto, que eu quero dormir. Daniel gritando sai com a
mãe.
Dona Laura sai do quarto chorando e
percebe então que Camila tinha razão, Daniel tinha mudado completamente. Camila
vai até a casa de Bruna e tenta convencê-la a ir conversar com Daniel; ela aceita
e preocupada com ele vai e não perde tempo. Chegando à casa de Daniel, ela só
encontra Dona Laura em casa, chorando e dizendo que a culpa de Daniel estar
assim, é dela, Bruna. Bruna diz a ela que não é culpa dela, e sim, do Wallace
que levou ele para esse caminho.

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